No Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, três educadoras de Mirandópolis compartilham experiências que marcaram suas trajetórias dentro da sala de aula. Adriana de Souza Miguel, Taís Fernanda de Souza e Márcia Aparecida Justino Frigeri Ferreira relatam situações envolvendo incentivo aos estudantes, educação inclusiva e despedidas que permanecem na memória.
Um conselho que atravessou os anos
Professora de Geografia e Projeto de Vida na Escola Estadual Dona Noêmia Dias Perotti, Adriana de Souza Miguel, de 47 anos, recorda a história de um aluno que era frequentemente encaminhado à direção por problemas de comportamento. Em vez de se limitar às dificuldades apresentadas pelo estudante, ela decidiu conversar e incentivá-lo a continuar os estudos.
Adriana aconselhou o jovem a concluir a formação escolar e a considerar um curso profissionalizante caso não tivesse interesse em fazer uma faculdade. Anos depois, recebeu uma mensagem do ex-aluno contando que havia seguido a orientação e se tornado tecnólogo. Ele também disse que ainda se lembrava das palavras da professora.

A experiência reforçou para Adriana a importância de acreditar no potencial dos estudantes, inclusive quando eles próprios ainda não conseguem enxergar suas capacidades. O desejo de ensinar começou na infância, nas brincadeiras de escolinha, e ganhou força com professoras que marcaram sua vida escolar. Formada em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, ela passou por diferentes escolas antes de retornar a Mirandópolis.
Aprender para ensinar
No segundo ano de carreira, Taís Fernanda de Souza, de 29 anos, enfrentou um desafio que transformou sua forma de compreender a docência. Professora do 1º ano do Ensino Fundamental na EMEF Professor Hélio Faria, ela precisava alfabetizar uma criança com deficiência visual.
Para atender às necessidades do estudante, Taís começou a estudar Braille, fez cursos e concluiu uma pós-graduação em educação inclusiva. Também adaptou materiais e desenvolveu estratégias para trabalhar a leitura e a escrita por meio do sistema.

Ao fim do ano letivo, ver a criança lendo e escrevendo pequenos textos em Braille foi uma conquista emocionante para a professora. A experiência mostrou a ela que o trabalho docente exige respeito às particularidades de cada aluno, disposição para rever práticas e busca constante por alternativas de aprendizagem.
Orgulho e saudade nas despedidas
Com quase quatro décadas dedicadas à educação, Márcia Aparecida Justino Frigeri Ferreira, de 59 anos, conhece os sentimentos que acompanham o encerramento de cada ciclo escolar. Ela começou a carreira em 1987 e também lecionou na Segunda Aliança e no bairro Amandaba. Atualmente, trabalha na EMEF Professor Hélio Faria.
Entre as lembranças mais marcantes estão as despedidas das turmas do 5º ano, quando os alunos deixam a escola dos anos iniciais do ensino fundamental. Depois de acompanhar o desenvolvimento das crianças, Márcia precisa se afastar de estudantes com quem dividiu aprendizados e experiências.

Um abraço acompanhado da frase “eu te amo, professora” resume parte do carinho recebido ao longo da carreira. Para Márcia, momentos como esse alimentam o orgulho pela profissão, mesmo diante das dificuldades e da falta de valorização que, segundo ela, ainda fazem parte da realidade do trabalho docente.
As histórias das três educadoras mostram que a escola vai além dos conteúdos e das avaliações. Um conselho pode influenciar o caminho de um antigo aluno, uma adaptação pode abrir espaço para novas aprendizagens e uma despedida pode revelar a força dos vínculos construídos ao longo do ano.
Fonte: AGORA NA REGIÃO
Links e documentos citados
Fonte: agoranaregiao.com.br
Valdei José (MTE 1134/MS) é Jornalista Profissional e Editor-chefe do JBR – Jornal Brasil Regional. Com Registro e foco em apuração ética e transparência, sua missão é cobrir os fatos do Brasil e Regiões. Acesse o perfil completo e conheça as áreas de expertise.

