Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que institui o Plano Nacional de Segurança Viária para Fauna Silvestre, destacando a necessidade urgente de combater o atropelamento de animais em rodovias e ferrovias no Brasil. A proposta, que agora segue para o Senado, prevê ações de planejamento e monitoramento para garantir a travessia segura da fauna.
Estudos realizados pela bióloga Fernanda Abra revelam que centenas de milhões de animais morrem anualmente em rodovias brasileiras, afetando diretamente a biodiversidade. Dados do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas indicam que cerca de 475 milhões de animais silvestres são atropelados por ano, o que representa aproximadamente 15 atropelamentos por segundo.
No Mato Grosso do Sul, a situação é ainda mais alarmante, especialmente em áreas como o Pantanal, que abriga importantes corredores rodoviários. Espécies como tamanduás, capivaras e onças-pardas são frequentemente vítimas desses acidentes. Em um trecho da BR-262, entre Campo Grande e o Pantanal, milhares de atropelamentos já foram registrados nos últimos anos.

Fernanda Abra destaca que as estradas não só provocam mortes diretas, mas também fragmentam habitats e isolam populações, reduzindo a diversidade genética das espécies. O projeto aprovado prevê que responsáveis por rodovias e ferrovias implementem medidas para minimizar os atropelamentos, como passagens de fauna e cercas direcionadoras, além de promover campanhas educativas.
No estado, já existem iniciativas pontuais que buscam ampliar soluções, como passagens de fauna e sinalização adequada. Estradas que cortam áreas do Pantanal e Cerrado têm altos índices de atropelamento, principalmente em períodos de seca e queimadas, quando os animais buscam alimento e água.
Raquel Machado, CEO do Instituto Líbio, enfatiza a necessidade de uma ação coordenada entre o poder público, concessionárias e a sociedade. “O atropelamento de animais é um sofrimento evitável e compromete toda uma cadeia ecológica. Precisamos priorizar esse problema nacionalmente,” afirma.
Especialistas acreditam que o Brasil já possui o conhecimento técnico necessário para mitigar o problema, e o desafio agora é transformar isso em políticas públicas efetivas. O Grupo de Resgate de Animais em Desastres ressalta que diversas estratégias podem ser implementadas, desde que baseadas em estudos técnicos específicos.

