Carga tributária elevada impulsiona mercado de tênis falsificados em Campo Grande

Em Campo Grande, fiscais do Procon apreenderam 1.232 pares de tênis falsificados em uma loja no centro da cidade, em uma operação realizada em abril. A ação foi motivada por denúncias de consumidores e resultou na suspensão temporária das atividades do estabelecimento, que também estava com o alvará de funcionamento vencido.

Além dos produtos sem nota fiscal e sem identificação do fabricante, a apreensão levanta uma questão recorrente no setor varejista: por que muitos consumidores optam por produtos falsificados? Uma parte da resposta pode estar na alta carga tributária que incide sobre os itens importados.

Dados do Impostômetro, uma ferramenta da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), revelam que um tênis importado possui uma carga tributária de 65,71% sobre seu valor total. Em um produto vendido a R$ 1.000, apenas R$ 342,90 correspondem ao valor do próprio tênis, enquanto R$ 657,10 vão para os cofres públicos.

A situação é alarmante, já que o Estado arrecada mais com o produto do que o fabricante. Essa realidade será destacada durante a campanha Dia Livre de Impostos, promovida pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), que ocorrerá em 28 de maio. Durante o evento, lojistas participantes zeram os impostos de produtos específicos, para mostrar aos consumidores a diferença entre o preço real e o preço tributado.

A alta tributação contribui para que o consumidor busque alternativas mais baratas, como os produtos falsificados. Embora essa prática seja ilegal e traga riscos de qualidade e segurança, é uma questão que precisa ser discutida abertamente.

Além dos tênis, outros produtos também apresentam altas cargas tributárias, como perfumes importados (77,43%), maquiagem importada (71,43%) e smartphones importados (62,46%).

Inês Santiago, presidente da FCDL-MS, afirma que o Dia Livre de Impostos não é apenas uma promoção, mas sim um alerta sobre o impacto dos impostos no poder de compra da população. Ela ressalta que, enquanto a carga tributária continuar a tornar os produtos originais inacessíveis, o problema da pirataria persistirá.