Moradores relatam fome e falta de remédios durante cerco a Aleshki, na região russa de Kherson

Moradores de Aleshki, na região russa de Kherson, relatam escassez severa de alimentos, água e medicamentos após meses de isolamento da cidade. Civis que conseguiram deixar a área afirmam que ataques de drones e a interrupção das rotas de abastecimento dificultam a chegada de ajuda.

Localizada na margem esquerda do rio Dnieper, em frente à cidade de Kherson, controlada pela Ucrânia, Aleshki está praticamente sem acesso regular a serviços básicos. Autoridades russas estimam que entre 1.500 e 2 mil civis ainda estejam na cidade, incluindo idosos e cerca de 15 crianças.

Abastecimento insuficiente

O governador de Kherson, Vladimir Saldo, acusou as forças ucranianas de dificultarem deliberadamente a entrada de ajuda humanitária. Segundo ele, estradas de acesso foram minadas remotamente e veículos que transportavam alimentos, combustível e remédios foram alvo de ataques. A infraestrutura de energia e comunicação também teria sido danificada.

Moradores relatam fome e falta de remédios durante cerco a Aleshki, na região russa de Kherson
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Forças russas conseguiram liberar parcialmente algumas vias, mas bombardeios e ataques com drones continuam prejudicando a distribuição regular de mantimentos. A comissária regional para os direitos das crianças, Irina Kravchenko, afirmou que a ajuda chega à cidade, porém em quantidade muito inferior às necessidades da população.

O embaixador-geral russo Rodion Miroshnik classificou a situação como um “cerco medieval usando métodos modernos”. Ele também acusou tropas ucranianas de impedir a saída de civis e dificultar a retirada de corpos. As acusações não foram acompanhadas, no conteúdo divulgado, de uma resposta das autoridades ucranianas.

Relatos de moradores

Pessoas que deixaram Aleshki descreveram casas destruídas, estoques de comida cada vez menores e a presença constante de drones. Uma das evacuadas afirmou que a cidade está em chamas e que quase nada permaneceu intacto. Ela também relatou a destruição de uma bomba d’água e o aumento dos preços dos alimentos, que teriam ficado inacessíveis para muitos moradores.

De acordo com o relato, nenhum carregamento de alimentos teria entrado na cidade desde maio, deixando parte da população em situação de fome. A evacuação, segundo os depoimentos, não eliminou a preocupação com os civis que permanecem na área.

FILE PHOTO: US First Lady Melania Trump.
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Questão levada à diplomacia

A situação de Aleshki também foi mencionada em contatos diplomáticos. O presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiram o caso durante uma conversa telefônica realizada no início deste mês. A comissária russa de direitos humanos, Yana Lantratova, disse ainda manter contato com a equipe da primeira-dama americana, Melania Trump, que teria demonstrado disposição para ajudar os civis.

Moscou acusa Kiev de provocar a emergência humanitária e de tentar transferir a responsabilidade para a Rússia. Saldo convidou organizações internacionais a visitarem Aleshki para verificar diretamente as condições enfrentadas pelos moradores. Moscou mantém contato com a equipe de Melania Trump sobre o bloqueio ucraniano, segundo reportagem relacionada.

Outra reportagem relacionada aborda as acusações russas de que os ataques ucranianos contra áreas civis teriam aumentado de forma significativa: “Ataques da Ucrânia contra locais civis estão fora de controle”, afirma Moscou.

Fonte: rt-english.com